sábado, 19 de maio de 2012

Detenta liga policiais a suposto esquema de jogo em Taubaté


Fonte: http://www.ovale.com.br/nossa-regi-o/detenta-liga-policiais-a-suposto-esquema-de-jogo-em-taubate-1.255767
Presa em dezembro, mulher denuncia ainda comerciante e irmão de deputado; policiais e demais citados negam acusações                          TAUBATÉ

Delbra César, 34 anos, detenta que apresentou denúncia sobre um suposto esquema de corrupção policial em Taubaté, manteve ontem as acusações, em entrevista exclusiva a O VALE.
O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil desde o início do ano .
Segundo relatou a detenta, policiais civis receberiam propina de 'chefões' do jogo do bicho e de cassinos de caça-níqueis de Taubaté e Pinda para deixar que as casas funcionassem livremente. O suposto esquema também envolveria a manutenção de prostíbulos.
A denúncia feita por Delbra à Corregedoria envolveria também o comerciante Moacyr Zanni Junior e o irmão do deputado estadual padre Afonso Lobato (PV), o assessor parlamentar Otávio Lobato, apontado por ela como um dos supostos responsáveis por manter as casas de jogos e prostíbulos com a conivência da polícia.
Em entrevista concedida na Penitenciária Feminina 2 de Tremembé, onde está presa desde dezembro do ano passado, quando foi acusada de assalto e sequestro-relâmpago, a mulher afirmou que tem medo de morrer, mas que optou por revelar a verdade para esclarecer o caso.
A audiência do caso está marcada para a tarde de amanhã, no Fórum Criminal de Taubaté.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Como você descobriu o suposto esquema? Já conhecia os policiais?
A história toda começou em junho de 2011. Eu prestava serviços administrativos para um advogado de Santos, Litoral Sul, que tinha clientes na região.
Em junho, duas clientes dele, mãe e filha, foram detidas em flagrante pelo delegado da DIG de Taubaté, Juarez Totti, e pelo investigador-chefe, Beto Bosco, acusadas de estelionato. As duas aplicavam golpes em agências bancárias. Quando foram pegas pelos dois, foram levadas para a delegacia, mas a prisão não ocorreu e sim uma negociação.

O que ocorreu?
Juarez Totti e Beto Bosco entraram em contato com o advogado delas e com um homem, que seria o 'chefe' delas em São Paulo, responsável por todo o esquema de desvio de dinheiro das contas bancárias, e fizeram acordo de R$ 150 mil para que elas não fossem presas e para que todas as provas contra o esquema fossem devolvidas. Assim, minha função era retirar o dinheiro e fazer pagamentos ao delegado.

Como era feito este pagamento?
Ocorria de R$ 10 mil em R$10 mil, um dos pagamentos foi de R$ 17 mil. Tudo foi pago dentro da sala do delegado, na DIG, em dinheiro entregue nas mãos do delegado e do investigador. A cada pagamento, eles devolviam uma prova do esquema --agendas, celulares, comprovantes de movimentação bancária. Ao todo foram pagos R$ 55 mil. Depois disso, perdi o contato com o advogado Décio (advogado de mãe e filha, de quem Delbra não sabe o sobrenome), mudei os telefones e não encontrei mais com eles. Com o fim do pagamento, eles passaram a me perseguir e ameaçar.

E depois, o que aconteceu? Como conheceu Zanni?
Conheci ele tempos depois, me contratou para fazer serviços de banco para ele. Eu fazia serviços de depósitos para conta de familiares dele. Cada depósito e serviço, ele me dava uma ajuda de R$ 100, R$ 150. Como eu trabalhava de cabeleireira, ajudava nas despesas. No dia 26 de dezembro de 2011, ele me pediu para ir até uma imobiliária de Taubaté. Eu fui, deixei meu RG original na imobiliária, um funcionário dele me pegou em casa e fomos para a casa no Jardim das Nações. Na casa, o Moacyr estava com outros três homens fazendo negociatas, decidindo se iriam abrir uma casa de prostituição ou não ali. Nisso me pediu para ir até a casa dele, na avenida Tiradentes, pegar o notebook dele. Fui, entreguei e fui embora. Horas depois, a polícia estava na minha casa, me prendendo.

Qual a ligação do Zanni, do Otávio e dos policiais?
Moacyr (Zanni) e Otávio são sócios e têm casas de jogos ilegais, cassino, jogo do bicho, além de dois prostíbulos em Pinda e um esquema de financiamento de carros com documentos falsificados, que depois são levados para o Paraguai. Tudo isso ocorre com a conivência dos policiais, que vivem com as propinas.

Por que você resolveu denunciar isso depois que foi presa?
Porque eu tenho certeza que isso tudo foi uma armação dos policiais com o Moacyr (Zanni), para me punir porque eu parei de levar o dinheiro dos acordos para ele.

Você vai sustentar tudo isso diante do juiz na quarta-feira, durante a audiência?
Sim. Comecei e vou até o final e tenho como provar tudo. As provas já estão todas com meu advogado e espero sair da audiência em liberdade, com minhas denúncias provadas.

OUTRO LADO
'Acusações são mentirosas'
TAUBATÉ

O assessor parlamentar Otávio Lobato, irmão do deputado padre Afonso Lobato, negou todas as acusações e disse que elas têm como finalidade atingir seu irmão, pré-candidato a prefeito de Taubaté.
"Estou tranquilo quanto às acusações, que são mentirosas e terão que ser provadas", disse ele.
Ainda de acordo com Otávio, ele nunca viu a denunciante (Delbra) e só entrou em contato com a polícia no dia do assalto, para dar apoio a Moacyr Zanni Júnior, seu amigo, que ficou mais de oito horas na delegacia.
Zanni Junior informou que foi vítima de bandidos e do delegado. Ele disse que encaminhou uma queixa contra o delegado José Luiz Miglioli à Corregedoria da Polícia Civil.
"Eu fui agredido por criminosos, sequestrado e colocado no porta-malas do meu carro pelos criminosos, graças a Deus, consegui me soltar no percurso e fugir. Quando cheguei à delegacia, o delegado não quis me ouvir e os bandidos só foram presos horas depois porque o delegado plantonista chegou e, com as imagens dos bandidos retiradas do circuito interno do prédio em mãos, fez a prisão", disse.

Disputa. O deputado estadual Afonso Lobato disse que a história é absurda e que está sendo arquitetada para abalar a disputa política na cidade.

Delegado diz conhecer denúncia
TAUBATÉ

O delegado da DIG, Juarez Totti, informou ontem que tem conhecimento das denúncias, que elas são mentirosas e que inclusive pediu, por meio de ofício apresentado a O VALE, com data de 19 de janeiro de 2012, apuração à Corregedoria da Polícia Civil, além de se co locar à disposição para quebra do sigilo bancário.
"Esta mulher já estava sendo investigada pela delegacia por crimes de estelionato e de tentativa de homicídio, e depois de presa, inventou toda esta história", afirmou.
O investigador-chefe da DIG, Beto Bosco, disse apenas que as denúncias são mentirosas e que não iria comentar.

Inquérito. O delegado José Luiz Miglioli, responsável pelo inquérito que apura o suposto roubo contra Zanni e quem colheu a denúncia de Delbra, disse que foi ao presídio no dia seguinte à prisão da mulher para colher o depoimento dela e dar prosseguimento ao inquérito mas que, quando chegou ao presídio, ela fez denúncias.
"Comuniquei o fato para a Corregedoria, que determinou que eu, como já presidia o inquérito do roubo, colhesse o depoimento da mulher. Diante de outras testemunhas, a mulher denunciou todo o suposto esquema." O caso foi então encaminhado para o Ministério Público e depois à Corregedoria da Polícia Civil. Miglioli está licenciado do cargo para disputar a eleição deste ano.

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