segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Penitenciárias paulistas têm até 'celular do James Bond', segundo a Folha de São Paulo

Enfim uma declaração de alguém que não trabalha nos presídios semelhante a nossa fala:
"A superlotação é um dos motivos. Hoje o sistema penitenciário não tem controle. Tem muito mais preso do que seria possível gerenciar."
Coordenadora da comissão de política criminal e penitenciária da OAB de São Paulo, Adriana
Martorelli

Quanto aos BLOQUEADORES DE CELULAR, digo a frase que escuto desde que o telefone celular chegou no Brasil: VAI CHEGAR!!! Estou esperando desde que ouvi essa frase pela primeira vez...
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/08/1321689-penitenciarias-paulistas-tem-ate-celular-do-james-bond.shtml
Penitenciárias paulistas têm até 'celular do James Bond'
AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO
JOSMAR JOZINO
DO "AGORA"

Tablets, relógios celulares, videogames, aparelhos de DVD e smartphones de última geração com poderosas câmeras, TV acoplada, acesso a internet e Bluetooth. Nada disso estava em uma loja de produtos eletrônicos.

Esses equipamentos foram encontrados nos últimos cinco anos em penitenciárias paulistas sob o poder de presos ou abandonadas nos pátios de banho de sol.

Governo de São Paulo quer contratar bloqueador de sinal de celular para presídios

O relógio celular, por exemplo, que teve três exemplares apreendidos no ano passado no Centro de Detenção Provisória Belém, na zona leste da capital, é tão moderno e discreto que no comércio os vendedores o chamam de "celular do James Bond".

Na internet, um modelo como esse custa cerca de R$ 1.500, tem tela com 1,18 cm de espessura, reconhecimento de voz e armazena arquivos de áudio em MP3.

Nos presídios, o preço dos telefones obedece a lei da oferta e da procura, portanto, é bem mais caro que na rua. Um celular que custa pouco mais de R$ 300 no comércio legal, na penitenciária pode valer até R$ 4.000.

Conforme agentes penitenciários e ex-detentos, muitas vezes esse aparelho é dividido entre dois ou três presos. Um fala de manhã, outro, à tarde e o terceiro, à noite.

Na maioria das apreensões, segundo agentes, o detento que diz ser o dono do celular está mentindo. "São pessoas que têm dívidas com o crime organizado que pagam 'assumindo' esse boletim de ocorrência", disse um agente.

Uma apreensão que chamou a atenção dos agentes acabou com o que foi batizado de playground dos presos no CDP Belém. Em uma das celas, havia um videogame, um DVD e 31 celulares.

Editoria de Arte/Folhapress
MERCADÃO DOS PRESÍDIOS Penitenciárias paulistas têm tráfico de smartphones a remédios para disfunção erétil
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CRESCIMENTO

Analisando os dados de apreensões de celulares desde 2008, constata-se que tem crescido a quantidade de aparelhos que entram nos estabelecimentos prisionais.

Em 2008, foram 10.446 aparelhos apreendidos, média diária de 28. No ano passado, foram 13.248, média de 36 -um crescimento de quase 27%.

Na opinião do sociólogo José dos Reis Santos Filho, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Situações de Violência e Políticas Alternativas da Unesp, a circulação de celulares não diminui porque há uma rede com elos que é difícil de ser quebrada.

"São agentes penitenciários, advogados, familiares e até policiais que entram com o telefone ou ajudam alguém a entrar. É um comércio que interessa aos presos e não tem o efetivo combate."

Para ele, esse comércio aumentou após os ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2006.

É por meio do celular que muitos dos presos mantêm o controle do tráfico de drogas do lado de fora das prisões.

No mês passado, o Ministério Público revelou que de dentro da penitenciária 2 de Presidente Venceslau, o preso Wanderson Paula Lima, o Andinho, comandava a venda de drogas em Campinas.

Sexta-feira, uma ação da polícia prendeu 28 suspeitos que recebiam ordens por telefone de um preso conhecido por "Zona Sul". Ele está no mesmo presídio de Andinho.

Para a coordenadora da comissão de política criminal e penitenciária da OAB de São Paulo, Adriana Martorelli, a superlotação é um dos motivos."Hoje o sistema penitenciário não tem controle. Tem muito mais preso do que seria possível gerenciar."

Em todo o Estado de São Paulo, há quase dois presos por vaga. Conforme dados do Departamento Penitenciário Nacional, são 195.965 detentos em 102.312 vagas.

5 comentários:

  1. Como é do conhecimento de quem trabalha no sistema é muito difícil impedir a entrada de objetos proibido nas unidades prisionais mais com trabalho sério é possível sim quem duvidar da uma chegadinha em Marília e acompanhe uma blitz na tranca para ver se vai sair algum celular, eu tiro o chapéu por todos que lá trabalham, porque não tem celulares dentro da cadeia, porque os funcionários tem apoio dos diretores diretores se um funcionário questionar algo os diretores e funcionários todos vão de imediato na cela fazem blitz e o pau cai a folha, aqui não é mamão com açúcar não pergunta se algum preso de outras unidades querem transferência para Marília, precisa dar condição de trabalho aos agentes, etc...

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    1. Parabéns aos funcionários da Penitenciária de Marília!

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    2. Tem muita unidade que realmente é "osso" pro ladrão na questão de celular. Apoiado companheiro. A unidade quem faz é o guarda com apoio/respaldo da Diretoria que diz: "Pode fazer que eu seguro". Conheci muito DG e DCSD digno do Cargo.

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  2. AS CADEIAS DO SISTEMA PENITENCIARIO PAULISTA É O MAIOR CONSUMIDOR DE APARELHO CELULAR DO PAIS, TUDO ISTO DE CONHECIMENTO DO GOVERNO DO ESTADO E DO SECRETARIO, QUE FINGE QUE MANDAM, E OS PRESOS FINGE QUE OBEDECEM, E O GOVERNO CONTINUA MANTENDO ACORDO COM OS PRESOS DA REGIÃO OESTE QUE ESTÃO NA TRANCA, QUEM PODE VIVER O DIA A DIA NUMA CADEIA DO INTERIOR DE SP NA TRANCA VAI SABER DESTA PURA REALIDADE, O PRESO NÃO PODE SER INCOMODADO, ELE TEM QUE TIRAR A CADEIA DE BOA, O ESTADO FINGE QUE MANDA E O PRESO FINGE QUE OBEDEÇE.

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  3. Questão de trabalho sério e pessoas comprometidas com a legalidade. Trabalho num presídio semi-aberto, rodeado por mata em todos os lados. Toda noite tem estranhos tentando lançar, ou lançando objetos por cima dos alambrados. Toda blitz que é realizada, sai no mínimo 10 celulares. O modelo de cadeia também atrapalha o bom trabalho, não duvide disso.

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