quinta-feira, 13 de março de 2014

Marcola - Governo bate bumbo, por Antonio Ferreira Pinto.


Antônio Ferreira Pinto foi secretário da SAP de 2006 à 2009 e secretário da Segurança Pública de 2009 à 2012.
 
Achei interessante esse artigo escrito por ele sobre a transferência do Marcola para Presidente Bernardes, apesar que ele bajula o secretário da SAP nos seus artigos(lembro que o atual secretário da SAP era adjunto do mesmo, e só ficou no lugar dele, porque ele pediu ao governador), Ferreira saiu do governo descontente por algum motivo que ninguém sabe, ou até mesmo pela forma que foi excluído pelo desgoverno de São Paulo.
 
Como já está praticamente em pré campanha para deputado, começará escrever contra esse governo que trabalhou junto por muitos anos, mas não vamos nos iludir, ele foi arbitrário e arrogante em várias atitudes contra os trabalhadores do sistema prisional, um dos exemplos é a LPT, ele criou a LPT que diz que quem responde sindicância ou PA "não se concretizará a transferência ou não poderá se inscrever",  quando você proíbe alguém se inscrever em uma lista apenas porque responde sindicância, sem ser decretado culpado, você está sendo arbitrário, além de muitas outras arbitrariedades cometidas contra nós trabalhadores.
 
A única coisa que nos interessa, é que ele pode ser muito útil para desmascarar o desgoverno de São Paulo, pois está com ódio, ressentimento e magoado, e conhece a fundo a SAP e a SSP.
 
 
Veja artigo escrito por ele sobre a transferência do Marcola para Bernardes.
 
 
Marcola – Governo bate bumbo

Nos últimos dois anos que estive no Governo sempre ouvi a expressão: “vamos bater bumbo”.

Manifesta indigência de linguagem para querer dizer: “vamos tirar proveito político desse fato ou desse evento, por men...or que seja”.

Mais uma vez, ouço um acorde desse bumbo. E na área mais delicada da segurança pública.

Trata-se da remoção cautelar de Marcola e outros três líderes do segundo escalão para o RDD por APENAS 60 DIAS.

Causou profunda repercussão o audacioso plano de fuga, com utilização de helicópteros, para resgatá-los.

As reportagens revelaram minúcias do plano. Provas em abundância!

O Governo veio a público dizendo que estava irritado com o “vazamento”, pois pretendia prendê-los tão logo iniciassem a empreitada.

A imprensa até cogitou que essa prisão seria um trunfo eleitoral. No final, a imprensa verá que estava certa.

Seguiram-se ações cinematográficas com deslocamento de tropa de elite (COE – com atiradores especializados) que ficaram na mata, camuflados, esperando pela fuga!

Como se esta ainda fosse cogitada após ampla divulgação pela imprensa...

Voltando ao Governo: em entrevistas, com ênfase e aquele tom categórico de sempre (só retórica), em diversas vezes, afirmou que estava solicitando ao Poder Judiciário a internação deles no RDD por 360 dias.

Claro que o pedido era por 360 dias.

Pela dimensão que deram a esse plano de fuga, era o lapso temporal que se exigia. Por muito menos, a maioria que está por lá cumpre 360 dias de internação. É a regra, não a exceção.

Aliás, pela gravidade e ousadia, colocando em risco a segurança do presídio e desafiando o Estado, deveriam ser removidos para Presídio Federal, em Porto Velho ou Mossoró, mas vá lá que entendesse conveniente transferi-los apenas para o RDD, na
vizinha Presidente Bernardes.

Por que não apresentaram todas as provas? Se apresentaram, não foram convincentes.

Por que o juiz se viu na contingência de pedir mais subsídios para decisão definitiva em primeiro grau?

Por que, de forma nunca vista, o pedido foi apresentado em conjunto com o Secretário da Segurança Pública? Este entrou no caso como Pilatos entrou no Credo.

Sobejam qualidades, competência e credibilidade ao Secretário da Administração Penitenciária para fazer o pedido que, saliento, é atribuição da sua Pasta.

O inusitado pedido também pelo outro Secretário seria para impressionar o juiz? Se era essa a intenção do Governo, se deu mal.

Agora se delineia que nada irá acontecer, a não ser os 60 dias de internação cautelar.

Repetindo: o pedido, de forma clara como o sol do meio-dia, foi feito de forma precária, daí a limitada internação, CAUTELAR, por 60 dias.

Se o plano era espetacular, como o Governo veiculou sob a forma de “vazamento”, se a imprensa teve acesso às minúcias, evidente que o juiz, se tivesse em mãos provas tão robustas como se apregoou, iria deferir integralmente o pedido!

O líder da facção, que não é bobo nem nada, vai captar a mensagem e, “resignado”, ficará internado por 60 dias, que podem ser prorrogados por mais 30 a pedido do próprio Governo e voltará ao convívio de seus comparsas para assistir à Copa do Mundo.

Depois vão dizer que o judiciário é o culpado. Esperam ficar bem na fita com entrevistas de efeito; no dia de hoje já se ouve o bumbo batendo novamente pelos meios de comunicação.

No final, ficará o dito pelo não dito

Mais uma vez ouviremos aquela ladainha de sempre: “a decisão foi subjetiva”, “vamos recorrer”, “decisão judicial não se discute, se cumpre” e outros lero-leros.

Política do morde e assopra, mensagem do tipo “não me importunem que eu não importuno vocês”.

Assim o PCC se convence que mete medo no poder e, para se usar o linguajar deles, “a cadeia vai ficando pequena”.

Um dia estoura! Com bumbo e tudo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário



Seu comentário é bem vindo, porém não será postado caso o moderador entenda que existam ofensas ou que não se aplique ao assunto da postagem.

Identificando-se, sua crítica, favorável ou contrária, terá mais credibilidade e respeitabilidade junto aos leitores.

Comente a postagem, para perguntas ou bate papo com o autor do BLOG,
jenisdeandrade@yahoo.com.br,
Jenis de Andrade no Facebook.