domingo, 16 de março de 2014

Fuga espetacular do PCC foi jogada eleitoral e arriscada, segundo a RedeBrasilAtual.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/03/para-especialistas-fuga-espetacular-do-pcc-foi-jogada-eleitoral-e-arriscada-7278.html


Para especialistas, fuga espetacular do PCC foi jogada eleitoral e arriscada

Estudiosos de segurança pública e mídia avaliam que noticiário fortalece 'marca' da facção e que governo tucano faz 'jogo de cena'. Para sociólogo, tema é 'calcanhar de aquiles' do PSDB


por Gisele Brito, da RBA publicado 15/03/2014 10:31, última modificação 15/03/2014 10:40
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O governador Geraldo Alckmin repetiu o discurso de que 'São Paulo não se intimida' e minimizou PCC


São Paulo – Desde o dia 27 de fevereiro, parte da imprensa dá detalhes de um plano de fuga de quatro líderes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Bandidos treinados para pilotar helicópteros iriam fazer o resgate. A história veio a público graças ao vazamento de uma investigação das polícias Civil e Militar e do Ministério Público de São Paulo. Após a revelação, o governo estadual pediu a transferência dos nomes investigados para o Regime de Detenção Diferenciado (RDD), onde os presos ficam 22 horas diárias em solitárias durante 60 dias. Para especialistas em segurança pública e comunicação ouvidos pela RBA, o estardalhaço em torno da suposta fuga fortalece a "marca" do PCC e é motivado pelo ano eleitoral.

Antes de se tornar público o plano, nenhum planejamento preventivo havia sido feito para impedir a execução. Houve apenas o deslocamento de homens do Comando de Operações Especiais (COE) da PM – com armamento capaz de derrubar helicópteros – para o entorno da Penitenciária 2, em Presidente Venceslau, no interior paulista.

Além da transferência de Marcola e de mais três membros do PCC para o RDD, ninguém foi preso. Pelo contrário. Segundo notícia da Folha de S. Paulo do dia 12 de março, Márcio Geraldo Alves Ferreira, o Buda, um dos principais articuladores do plano, foi, no dia 12 de janeiro, levado para a 73º DP, no Jaçanã, zona norte da capital, por estar com documentos falsos. Na época já se investigava a fuga e a sua participação, mas ele foi liberado.

Ainda assim, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) repetiu o discurso de que "São Paulo não se intimida", minimizou a força do PCC e enfatizou a qualidade da polícia. E setores da mídia potencializaram tanto o espetacular plano de fuga quanto a inteligência dos órgãos de segurança pública do estado.

A coordenadora do curso de jornalismo da Universidade Mackenzie, Denise Paieiro, que pesquisa a relação entre mídia e discurso do terror, destaca que a cobertura dedicada ao assunto fortalece a imagem da organização criminosa. "Os veículos de comunicação perderam um pouco a mão em vários momentos. Deram detalhes da operação. Entrevistaram especialistas que ampliaram esses detalhes, o que aumenta o medo potencial de terror. Tem notícia? Tem. Mas é uma informação realmente relevante ou estamos fortalecendo a imagem da organização?"

Sobre a atuação do governo, mais do que o discurso, a postura da gestão tucana aponta uma tentativa de conciliação com o PCC, o que se explicita com o episódio da fuga. "Tem toda uma sensação de combate efetiva, mas, do outro lado, tem uma ação de manter o acordo feito em 2006, de manter a acomodação para que não ocorra uma ruptura generalizada em todo o sistema", avalia a socióloga Camila Nunes Dias, autora do livro A história secreta do PCC.

A maior demonstração de força do PCC ocorreu em maio de 2006, quando policiais foram assassinados em emboscadas e ônibus foram queimados, levando pânico à capital paulista. A ação foi coordenada de dentro de presídios e executada por dezenas de pessoas nas ruas. Depois de dois dias de terror, os ataques só cessaram depois do governo negociar com Marcola.

O grupo atingiu tal capacidade de articulação depois de crescer à margem das preocupações do governo estadual, responsável pelos presídios e que, como agora, manteve o discurso de minimizar o poder da facção.

Camila Nunes aponta que a resposta ao suposto plano de fuga era previsível e que, na realidade, o governo Alckmin manobraria a situação para se beneficiar dela. "Considerando o perfil do Marcola, não acho razoável que ele fosse armar algo tão mirabolante. E, se fosse verdadeiro esse plano, você pediria uma internação em RDD por apenas 60 dias? A leitura que eu tenho feito é que é um jogo de cena para mostrar ação."

A socióloga entende que a divulgação do plano se trata de estratégia política de grupos que fazem parte do governo do PSDB. "Tem gente pensando nos debates das eleições que vem aí. Tudo isso é parte desse cenário pré-eleitoral. O PCC é um dos calcanhares de aquiles desse governo", prossegue.

O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Lima, vê no reconhecimento do poderio de uma organização criminosa a peça fundamental para seu enfrentamento. "Isso aconteceu, por exemplo, no caso da máfia italiana, quando os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo se uniram para criar mecanismos de contenção. Mas não no enfrentamento com tiro. Isso, no caso brasileiro, é ainda mais complexo, pois nós não temos a cultura da transversalidade, das secretarias que se conversam, interação entre as polícias e outros órgãos do sistema de justiça", comenta.

Enquanto o enfrentamento não vem, o PCC se fortalece. O doutor em Ciências Sociais Guaracy Mingardi, ex-secretário nacional de Segurança Pública, diz que a transferência dos líderes da facção para o RDD, odiado pelos detentos, pode ser o estopim para uma nova rodada de rebeliões ou terror, como a de 2006. "Para isso acontecer, só depende de clima. Mas se não houver esse clima, não é por enfraquecimento do PCC ou ação do Estado. Desde 2006, o PCC só se fortaleceu", analisa.

Mingardi lembra que, em anos eleitorais, o Estado fica mais frágil, submetido a interesses obscuros, e as organizações criminosas ganham mais poder de barganha para pressionar os governantes e não serem incomodados. "Por isso, a tendência é tentar apaziguar com medidas pouco efetivas, como o RDD de 60 dias", conclui.









11 comentários:

  1. Estão vendo como são lixos os nosso governantes. Negociando com bandidos e explorando os funcionários públicos relacionados a segurança pública. Por isso os ASPs resolveram entrar em greve.

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  2. MEU VAMOS PARAR O PCC ESTA AI APRONTANDO TODAS É POR CAUSA DE POLITICAGEM QUE A MARGINALIDADE ESTA AI CADA VEZ MAIS FORTE, EU SOU PSDB E ODEIO O PT E OS OUTROS PARTIDOS NEM POR ISSO FICO AI TIRANDO OS MERITOS ,A DILMA ESTA ACABANDO COM O PAIS O PT TA DESTRUINDO E ROUBANDO E ESTA TUDO BEM E TUDO LINDO ACORDA JENIS QUER SER ALGUMA COISA ,QUER SER PREFEITO TIRA ESSA MASCARA DA SUA VIDA FAÇA POR VOCÊ LUTE POR NÓS SEM DESMERECER O PRÓXIMO ESSAS PÓLITICAGEM ESTA ACABANDO COM NOSSO PAIS.

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  3. Concordo plenamente em genero, numero e grau. Pra mim essa "da fuga", foi uma jogada política sim. Não se falou um minuto em apurar o vazamento,não houve nenhum movimento policial (a não ser o COE) antes da divulgação das escutas. Eu trabalho na P2 e so ficamos sabendo de alguma coisa , quando da vinda do COE.Então pra mim, é politicagem pura, agora espero sinceramente que o tiro saia pela culatra e essa politicagem de errado e nosso pinoquio não se reeleja.

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  4. Jenis pela primeira vez em muitos anos eu vejo a "UNIÃO" dos ASP's, creio que todos já não aguentam mais esse "Vale Coxinha", o salário arroxado, e a PM e a CIVIL tendo benefícios; outras situações: trabalhar sozinho e trancar um raio com 200,300,400 e até 500 presos, convocações para Blitz sem folga e nenhum benefício, Blitz desnecessárias só para formalidade, opressão com os Probatórios, perseguição de Diretoria do Turno quando vc falta por motivo justo colocando depois vc no pior posto da unidade etc etc etc A Greve é um direito Constitucional, será que só na SAP que não respeita nenhuma decisão judicial, vai querer proibir nossos Direitos, inclusive eu não assino o Cartão de Ponto mentiroso pois não faço 01 hora de almoço não tem efetivo para rendição. A Greve Continua...

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  5. segunda-feira, 17 de março de 2014

    TROPA DE CHOQUE ACIONADA PARA COLOCAR DETENTOS EM CDP, SEGUNDO CRUZEIRO DO SUL

    Clima fica tenso no CDP da Aparecidinha
    Caminhão e viaturas com 31 detentos aguardam para entrar na unidade
    Caminhão com mais de 30 detentos aguarda para entrar no CDP – ADIVAL B. PINTO

    O clima ficou tenso na manhã desta segunda-feira no Centro de Detenção Provisória da Aparecidinha. Um caminhão e três viaturas da Polícia Civil transportaram 31 presos vindos da Cadeia Pública de São Roque, porém a entrada está sendo dificultada por funcionários que estão de folga e se mantêm em frente a unidade. Os agentes penitenciários do estado de São Paulo estão em greve há uma semana.

    A Tropa de Choque já foi acionada e está a caminho para auxiliar na entrada dos detentos, porém o coordenador do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de Sorocaba e Região (Sifuspesp) afirma que se houver confronto, os funcionários que estão trabalhando dentro da unidade irão abandonar seus postos e entregar as chaves para o diretor do CDP.

    A equipe de reportagem do jornal Cruzeiro do Sul está no local e terá novas informações em instantes.

    QUE GREVE É ESTÁ QUE TEM BANHO DE SOL E VISITAS? DESSE JEITO PODE FICAR 06 MESES EM GREVE.

    TEMOS QUE ENDURECER E RADICALIZAR, POIS SÓ ASSIM TEREMOS A ATENÇÃO QUE MERECEMOS!

    O DESGOVERNO DE SÃO PAULO NÃO QUE ENDURECER? ENTÃO VAMOS PRO TUDO OU NADA!

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  6. 17/03/14 – Governo aumenta a pressão contra greve dos Agentes Penitenciários

    Seg, 17 de Março de 2014 11:43

    Na manhã desta segunda está havendo tensão em várias unidades

    O governo escolheu pesar a mão contra a greve dos servidores do sistema prisional paulista. Acuados com cadeias já superlotadas, na manhã desta segunda-feira a Polícia Civil tentou forçar a entrada de novos presos em diversas unidades prisionais. Os trabalhadores do sistema resistiram, e apesar das ameaças, os policiais se retiraram com os presos. Soubemos de registros do tipo nas regiões de Caiuá, Sorocaba, Campinas e Baixada.

    Em outro âmbito, diretores de unidades – esquecidos que são servidores concursados tanto quanto os colegas que estão em greve; e felizes com a proposta de reajuste de 16% do COMP – estão aumentando o terrorismo em cima dos grevistas. Em várias unidades já recebemos informações de “listas” que estariam sendo feitas dedurando os grevistas para responderem a sindicância.

    GENTE ISTO JÁ ESTÁ INDO LONGE DEMAIS!

    ACHO MELHOR ACABAR LOGO COM ESSA GREVE!

    ENTÃO VAMOS CORTAR LOGO DE VEZ O BANHO DE SOL E AS VISITAS QUE VOCÊS VÃO VER COMO ISSO ACABA RÁPIDO RÁPIDO!

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  7. O sistema prisional é muito mais que o calcanhar de aquiles do pcc$$$$$$$$$db

    Não podemos parar a greve em hipótese nenhuma, não podemos retroceder um milímetro que seja.

    resistir . . . e resistir . . lutar por dignidade e justa remuneração . . .

    o momento agora é jurídico . . . .

    uma assessoria jurídica competente e de resultado . . .

    Que ver senhores sindicatos...

    LUTAR . . . .

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  8. Respostas
    1. Cleverson, vc é agente penitenciário da carceragem ou é pelego de Diretor? Vamos somente ficar no campo das idéias:Como vai a apuração do Mensalão Mineiro, o propinoduto da Alstom e da Siemens no Metro do Governo do PSDB de São Paulo; Por que nunca foi proposta uma criação da CPI dos pedágios tucanos em São Paulo, vc já viajou pelo ao menos 500 km nas estradas que o PSDB privatizou, sabe que a cada 50 km temos 01 pedágio, e o menor valor gira em torno de R$ 8,00. Só um exemplo, de Ribeirão a São Paulo são 08 pedágios, fica mais barato o combustível que o gasto com os pedágios; Continua votando no PSDB, que é o queridinho do 4º poder no Brasil, "a imprensa", e pelo jeito seu único meio de informação deve ser a Rede Globo de TV.(alienado)! Greve neles...

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  9. Ta vendo a diferença do PSDB coragem,botei minha cara a tapa.

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  10. Olha companheiro Cleverson , não é uma questão de coragem, mas acho que você esta falando bem de coisas não boas em lugar errado, falar bem ou mau de partido politico aqui é dar tiros no pé, pois acredito que aqui a nossa luta é outra e no momento ela é a favor de nos direitos e não contra quem quer que seja, muito menos contra você.. tenha um exelente dia companheiro.e vamos aos resultados. força ao nosso movimento, muita garra e dedicação.Além de empregados do Estado , somos patrões do Governador, pagamos o seu salário e algumas coisas extras também.

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