terça-feira, 1 de março de 2016

Desabafo da esposa do ASP que matou PM e foi assassinado em Itirapina-SP.




Fonte: G1
01/03/2016 07h18 - Atualizado em 01/03/2016 12h52
'Ele não era bandido', diz esposa de agente que matou PM em Itirapina, SP
Marcos José Silva era agente há 23 anos e tratava depressão e alcoolismo.
Ele teria tido um surto após beber e atirou contra a mulher e um policial.
Caliandra Segnini
Do G1 São Carlos e Araraquara
Agente penitenciário de Itirapina morreu após troca de tiros com a PM (Foto: Sueli Silva/Arquivo Pessoal)
Agente penitenciário Marcos Silva morreu no
último dia 20 (Foto: Sueli Silva/Arquivo Pessoal)
“Precisam reconhecer que foi uma fatalidade, uma tragédia, e ele também deixou família. Eu sinto muito pela vida do policial, mas o Marcos morreu porque estava doente, tinha depressão, e ele também era um agente de segurança, não era um bandido”. A declaração é da doméstica Sueli Silva, de 43 anos, esposa do agente penitenciário Marcos José Silva, de 44 anos, que morreu após trocar tiros com a Polícia Militar (PM) no dia 20 de fevereiro, em Itirapina (SP).
Segundo a corporação, o agente atirou contra os policiais e um dos tiros atingiu o sargento Júlio César Zorzetti, de 40 anos, que morreu na hora.

O caso aconteceu por volta das 2h, no bairro Nova Itirapina. Segundo Sueli, o marido, que era agente penitenciário há 23 anos, tomava remédios para tratar depressão e alcoolismo. Ela contou que Marcos estava há seis meses sem ingerir álcool e teve um surto após beber.
“A gente tinha discutido porque ele estava transtornado, estava atirando com a espingarda de chumbinho e atirou na minha perna. Eu entreguei para a polícia mais de 50 cópias de receitas dele, de tratamento e de remédio. Ele era uma pessoa boa, foi muito bom pai e marido também. Tinha as crises dele, mas nunca me agrediu. Ele apenas surtou”, contou.

Após ser atingida, Sueli foi para o hospital da cidade e deixou o agente sozinho em casa. “O hospital chamou a PM. O policial que faleceu foi lá pedir a chave da minha casa. Na hora, disse que não estava comigo, mas depois falei que a minha irmã ia junto acompanhar. Orientei o policial a pedir para a minha irmã chamar o Marcos pelo nome antes de entrar na casa, mas quando chegou lá ela teve que ficar de longe. E ela não consegue dizer o que aconteceu porque não deixaram chegar perto de casa”.
Segundo a PM, o agente penitenciário foi o primeiro a atirar, durante a negociação. Após o disparo, os policiais revidaram e o agente foi atingido. “Ele estava em uma posição privilegiada, estava no escuro e os policiais na entrada, e acabou efetuando um disparo do nada”, disse o capitão Ademar Gregolim.
Casal estava junto há 14 anos e tem uma filha de 11 anos (Foto: Sueli Silva/Arquivo Pessoal)
Casal estava junto há 14 anos e tem uma filha
de 11 anos (Foto: Sueli Silva/Arquivo Pessoal)
Repercussão
O caso teve uma grande repercussão na cidade. “Não foi proposital, não foi planejado. A minha casa virou um ponto turístico, todo mundo vem aqui no portão. Ele morreu aqui dentro e ninguém está enxergando o meu lado e da minha filha. Fazem a gente de vagabundo, de marginal, de ladrão. Estão nos bombardeando para todo lado. Isso é para humilhar a gente demais”, declarou Sueli.

O casal estava junto há 14 anos e tem uma filha de 11 anos, que está afastada da escola e recebendo atendimento psicológico desde o ocorrido. O agente também criou o filho mais velho de Sueli desde os cinco anos.
Ele morreu aqui dentro e
ninguém está enxergando o
meu lado e da minha filha. Fazem
a gente de vagabundo, de
marginal, de ladrão. Estão nos bombardeando para todo lado"
Sueli Silva, doméstica
“Era o melhor pai do mundo. Ele trocou de horário e começou a trabalhar à noite para poder ficar com nossa filha, porque eu trabalho de dia. Ele dizia que não queria deixar a filhinha dele na mão de ninguém, que a responsabilidade da educação tinha que ser dele. Onde ele ia a filha estava junto. Agora ela está uma criança seca, trancada em casa, não quer falar e não chora. No hospital, tiraram foto dele morto, imagina se mostram isso para a minha filha?”, questionou a doméstica.

Ainda de acordo com Sueli, o marido foi lixeiro na cidade antes de ser aprovado no concurso de agente penitenciário e, em 23 anos de profissão, nunca teve nenhum problema no trabalho.
“Não sei se sabiam que ele tinha esse problema, porque ele sempre deixou claro que não levava nada do serviço para casa e nem de casa para o serviço. Ele nasceu em Itirapina, quem conhece ele sabe disso, que nunca teve um boletim de ocorrência, nunca foi parado pela polícia nem nada. Ele também foi uma pessoa vitoriosa, ele não merece ser rebaixado desse jeito”, finalizou.
Secretaria da Administração Penitenciária
A assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que Marcos José da Silva estava de férias e que "há mais de um ano não registrava ausências no trabalho em decorrência de licença médica para tratamento de saúde".
Há marcas de balas no portão da casa do agente e em imóveis vizinhos (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)
Ação deixou marcas no portão da casa do agente
e em imóveis vizinhos (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)
Ainda de acordo com a SAP, o agente "estava trabalhando normalmente e desempenhando muito bem suas funções no período noturno junto à Ala de Progressão Penitenciária na Penitenciária 'João Batista de Arruda Sampaio', de Itirapina". A secretaria ainda ressaltou que desde 2012 Marcos não possuía porte de arma.

Segundo a SAP, a Unidade Prisional conta com psicólogo, que tem como principal atividade o atendimento a presos. Porém, quando servidores sentem necessidade, também podem obter orientações desse profissional. Há ainda o Centro Regional de Qualidade de Vida e Saúde do Servidor em todas as Coordenadorias de Unidades Prisionais do Estado, com profissionais de várias áreas, entre elas psicologia.
O G1 também procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para questionar sobre o tipo de arma que o agente usou para disparar contra o policial, se foram apreendidas outras armas na casa, qual o procedimento correto em um caso de surto, por que o agente estava com as mãos feridas e por que a cunhada foi impedida de falar com Marcos Silva, mas a secretaria não se manifestou.

18 comentários:

  1. Não se pode julgar, foi-se um colega, perdido para o vício e os problemas decorrentes do ambiente insalubre que, se deixarmos, nos contamina dia-a-dia. Foi uma fatalidade que o "Estado" cria em seus servidores e depois finge que não vê toda pressão que sofremos. Que as famílias do policial em serviço e do "agente como a gente" encontrem consolação e paz...

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  2. isso é culpa do Estado, formam monstros presos, saem pior que entram, e joga seus funcionários lá dentro, adoecem, e joga de canto, "esse não presta mais". O funcionário não deve procurar ajuda da SAP é a SAP que tem o dever de ir atrás do funcionário que precisa de ajuda. Vou fazer esse pedido para o Marcola, quem sabe ele manda o governo ajudar os ASP...

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    1. Deixa de ser imbecil rapazinho, chamar o Marcola? Então se vc achar que esta ganhando pouco vai chamar o Marcola pra te ajudar? Esse problema do colega que faleceu atinge vários de nós, graças a Deus a maioria ainda tem suporte psicológico para suportar a pressão que é ser A.S.P. Meus pesames a familia do Policial que perdeu sua vida em ação, bem como, a do Agente que perdeu sua vida por um surto.

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    2. Imbecil é vc que não percebe que a gente só ganha alguma valorização quando a bandidagem pega pesado, fizeram greve em um ano e noutro e o que chegou?? Um monte de funças respondendo pad, em 2006 quando o pau quebrou o J subiu quase 500,00, pra esse governo é mais fácil negociar com o Marcola do que com os guardas. Vc acredita em papai noel???

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    3. No meu ponto de vista, vejo que o respeito entre os colegas é zero, estamos perdendo vários amigos e vcs se agredindo verbalmente por causa de marcola? Vamos respeitar o colega que perdeu a vida, ou ao menos seus familiares. Resta salientar que temos muitos colegas com problemas sérios de saúde mental, temos colegas entregues as drogas ou as bebidas para fugir da realidade, e o Estado lava as mãos dizendo que tm assistência psicológica para os seus servidores, balela, nem ao menos deferem licença saúde para os que estão tentando se tratar. Temos que nos unir e não deixar a arrogância tomar frente ao problema , pois não julgue o problema do colega, porque amanhã o problema pode seu seu, ou pode ser você.

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    4. Concordo contigo Nilson, eu me expressei de uma forma meio rispida, pois não concordo que "enalteçam" bandidos em hora alguma, quanto mais nessa que acabamos de perder um colega. Sabe, se o Estado não se preocupa conosco, precisamos buscar meios para extrapolar nossas energias com coisas mais saudaveis, pois caso contrario levaremos os problemas para nossas residencias e lá estão filhos, mulher e etc ... Eu oro pelo bem estar de todos nós.

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  3. A unidade prisional tem psicólogo, mas a prioridade são os PRESOS... Eu não li isso!!!

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  4. Infelizmente, um policial despreparado para tal situação morreu como herói e nosso companheiro como bandido, e um absurdo os jornais reverenciada esse comentário da esposa do asp

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    1. Queria ver se tivesse um bandido de fuzil na mão lá se esse coxinha ia lá trocar tiros... A mulher já tinha dito que o kara tava zoado, não era mais fácil esperar e resolver com calma, o kara achou que ia ser preso por causa de um tiro de chumbinho, já tava em ponto de suicídio se bobear, e o sargentão foi lá fazer seu trabalho... Deu no que deu....

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  5. É pura covardia do Estado, pois passei por um surto também e fui preso por 13 meses mesmo estando e, tratamento psiquiátrico, minha família ficou a Deus dará ou seja sem receber nada nada nada durante este período, pois alegaram que minha condenação era acima de 6 anos, pois eu nem julgado fui até o momento, ou seja o Estado me julgou antes da justiça e o bandido tem o direito a auxilio reclusão e o servidor simplesmente não tem direito algum.... O Estado me deixou doente, me prendeu, me deixou esquecido preso e abriu sindicância para me exonerar.... Estou sem eira nem beira

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    1. Vc foi preso pq meu brow?

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    2. psiquiatria colega disparo de arma de fogo um via publica, perseguição, surto psicótico contastado por 4 peritos e chinguei o delegado de corno achando que ele era o diretor da unidade onde trabalho e falei pro delegado que ia matar ele mas achando que ele era o diretor, estava em delírio ok

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  6. A VERDADE É UMA SÓ ESTAMOS SOZINHOS NÃO TEMOS RH PARA AJUDAR OS FUNCIONARIOS. SÓ DEUS NA NOSSA CAUSA

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  7. uma grande mentira esta da SAP. eles não nos dão suporte nenhum.. mais da metade do efetivo tem problemas psicológicos, prisionizacao, angustia, stress altíssimo.
    e ainda temos que ficar implorando para os medicos das pericias que somos obrigados a fazer ... pois se o medico especialista psiquiatra, lhe da um afastamento de 90 dias, porque vc esta precisando etc etc. dai marcamos a pericia do estado ,, quando passamos o medico indefere os 90 dias e lhe concede 20 dias, e por ai vai.. dai publica no D.O.. e nao podemos fazer nada.. o que nos resta e passar no medico novamente,, que fica abismado com a atitude desta secretaria SAP... e o fim ... isso e culpa do governo e destes secretarios pelegos, e chefes do DPME...

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  8. E tem alguns funcionários que pegam atestados psiquiátricos de 60 ,90 dias, e quando vão fazer pericia, o perito corta mais da metade da licença. Isso é um absurdo.

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    1. ISSO É PARA AQUELE BANDO DE ASP PUXA SACO E SAFADO FALAR QUE QUEM ESTÁ DE LICENÇA TÁ VAGABUNDEANDO

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