quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Vagabundos arremessaram pacotes para dentro de presídio paulista, um foi interceptado, o outro está na mão do preso.

Segundo informações de alguns,  colegas, hoje, 02/02,  no período da tarde foram arremessados ao mesmo tempo nas torres II e IV do CPP Atalíba Nogueira em Campinas dois pacotes para o interior da unidade, um pacote foi interceptado e tinha aparelho de telefone celular, o outro pacote pelo déficit de agentes penitenciários não foi possível encontrar, trabalhei por 10 anos nesse presídio, de março 1994 à novembro de 2004, portanto conheço muito bem esse presídio, sei do profissionalismo dos agentes penitenciários dessa unidade, uns estão lá desde a inauguração em 1986, mas impossível fazer um trabalho satisfatório se um presídio precisa de ao menos 50 agentes no plantão e geralmente não tem nem um terço desse número.


Foto do site G1.

Esse presídio há 20 anos atrás tinha uma capacidade para 900 presos e dificilmente chegava a ter 860 presos, hoje tem uma suposta capacidade de 1446 presos e está com 2551 segundo o próprio site da SAP.


Presídios de regime semiaberto são complicados para fazer um bom trabalho, já que são muito grandes, tem pouquíssimos ASPs e não tem AEVPs, são os próprios ASPs que ficam nas torres.

Veja situações que já presenciei em presídios semi abertos pelo descaso da SAP por manter um número reduzido de ASPs achando que é mais tranquilo:
Um ex preso pulou o muro, dois alambrados foi até um determinado pavilhão deu um tiro em um preso e fugiu.
Um ex preso pulou o muro, foi até o alambrado e ficou cobrando o rádio AM/FM que ficou no presídio (pasmem, não era celular, não existia ainda) ESSA ME DEIXOU INDIGNADO, pois levamos o ex preso até o distrito e o delegado pediu para que deixássemos ele na residência do mesmo. (é óbvio que erramos o caminho e fomos ao contrário da residência, ou seja retornamos ao presídio).
Preso pulou os dois alambrados, o muro e foi buscar CACHAÇA, pegamos o mesmo no retorno correndo com uma sacolinha com o barulho blim blim blim...
Preso pulou os alambrados e o muro, quando os agentes foram atrás do preso, tinha um carro com vagabundos aguardando e alvejaram os agentes com tiros.


Quando fugia preso do semi aberto gostávamos de pegá-los la fora, alguns perguntavam, porque vocês fazem isso? Vocês colocam a vida em risco e não é obrigação nossa.
 Geralmente eu respondia, se não fizermos isso, esse presídio vai virar uma ZONA onde presos passarão o DOMINGÃO em casa e voltarão para a contagem da tarde. Mas essas minhas atitudes  me deram um RG Criminal, fui indiciado por ABUSO DE AUTORIDADE, graças ao advogado da FUNAP que ouviu o preso e me processou, sorte a minha que esse processo foi arquivado por não ter testemunhas.

Reafirmo que os agentes desse presídio são corajosos, competentes e odeiam corruptos, vagabundos ou qualquer tipo de gente que "corre"  com o crime.
Mas como trabalhar com sucesso em um quadro desses.

Apenas relatei sobre esse CPP porque trabalhei 10 anos nessa unidade, mas tenho certeza absoluta que em outros CPPs ocorrem fatos semelhantes, ah... trabalhei 2 anos no CPP Mongaguá também, lá tive colegas baleados também em resgate de presos, e o pior, não podemos fazer nada, senão nos tornamos réus.

Não que os presídios de regime fechado estejam uma maravilha, é que nos presídios de regime fechado os problemas são outros.

Temos conhecimento que sempre acontece esses arremessos, até porque o CPP Campinas fica ao lado de várias favelas.

Se a SAP não tomar atitude, a tendência é piorar, vejam que em 4 meses tivemos fugas em massa e rebeliões em CPPs como esse:



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