quinta-feira, 16 de março de 2017

PT vota em candidato do PSDB para presidente da ALESP, mesmo tendo candidato petista.




Fonte: Folha SP.

Alckmin é o candidato, inclusive de Doria, diz presidente da Assembleia
Karime Xavier/Folhapress
SÃO PAULO / SÃO PAULO / BRASIL -15 /03/17 - :00h - Deputados estaduais vão eleger nesta quarta (15) o novo presidente da Assembleia Legislativa de SP. O escolhido será Cauê Macris (PSDB), atual líder do governo na Casa. Macris será eleito inclusive com apoio da bancada do PT --que, em troca, vai se manter no comando da 1ª Secretaria da Mesa Diretora. ( Foto: Karime Xavier / Folhapress). ***EXCLUSIVO***PODER
O deputado estadual Cauê Macris, que passa a presidir a Assembleia
REYNALDO TUROLLO JR.
GABRIELA SÁ PESSOA
DE SÃO PAULO

16/03/2017 02h01

O deputado Cauê Macris (PSDB) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta quarta (15), com 88 votos dos 94 possíveis.

Em entrevista à Folha, Macris defendeu a candidatura ao Planalto do governador Geraldo Alckmin, de quem é aliado fiel. Para ele, quem discute a possibilidade de lançar o prefeito João Doria "não é tucano".

Macris também diz ter certeza de que Alckmin passará incólume pela Lava Jato.

Para a 1ª Secretaria da Mesa Diretora, foi eleito Luiz Fernando (PT) e, para a 2ª Secretaria, Estêvam Galvão (DEM).

A maioria do PT apoiou Macris, mesmo com o petista Carlos Neder na disputa -ele teve apenas dois votos.

*

Folha - Como o sr. avalia o fato de ser visto, tanto por deputados da base como da oposição, como alguém mais próximo do governador do que do Parlamento?
Cauê Macris - Precisa diferenciar atuação político-partidária da atuação como presidente da Assembleia. Como presidente, é um Poder independente que quer caminhar em sintonia com os demais Poderes, desde que seja respeitado. Na vida partidária, sou, sim, defensor do governador.

A Lava Jato bate às portas do Estado. Há pedidos de CPI na Casa, feitos pelo PSOL, tratando de temas correlatos.
É direito de minoria a CPI. Sou presidente da Casa, a investigação faz parte, é direito.

Sua intenção é trabalhar para que as CPIs sejam instaladas ou para barrá-las?
É obrigação do Legislativo fiscalizar o Executivo, não só através de CPI. Cada deputado tem seus interesses relacionados à sua base, mas o interesse institucional é garantir aos mandatos o direito de atuar.

O sr. não deve tentar barrar as CPIs...
Não, não vou barrar CPI nenhuma. Vão ser instaladas todas que tenham o número de assinaturas [32].

Há informação de que Alckmin está na lista de pedidos de inquéritos de Rodrigo Janot.
Conheço o governador, é um cara sério, correto e íntegro. Qualquer citação que possa ter, eu tenho segurança de que não tem envolvimento pessoal do governador.

O sr. escreveu em setembro um artigo na Folha em que disse que o PT era ladrão e queria fazer parecer que os outros partidos também eram. A Lava Jato indica que as práticas atribuídas ao PT eram comuns a outros partidos. Sua avaliação mudou de setembro para cá?
Naquele momento eu estava colocando como uma ação partidária. Hoje, como presidente de todos os deputados, tenho convicção de que, se a pessoa cometeu qualquer ação ilícita, ela tem que pagar. Seja do meu partido, seja do PT.

Estamos vivendo um momento em que está se quebrando um paradigma. O que temos que fazer é ajudar a virar essa página para que as pessoas de bem e de caráter assumam os cargos importantes para conseguir tocar o país.

Tocar o país remete a 2018. Quem do PSDB tem mais chance de chegar lá sem estar desgastado pela Lava Jato?
Geraldo Alckmin.

Há discussões no PSDB que começam a aventar o nome de João Doria para o Planalto.
O Geraldo é nosso candidato, inclusive do Doria. Estão criando especulações para criar cisões dentro de um grupo forte que saiu fortalecido do processo eleitoral.

Tucanos que discutem isso criam cisões no partido?
Quais? Não vi nenhum. Vi pessoas de fora apimentando a discussão. Essa pessoa [que discute a candidatura de Doria] não é tucana.

A maneira Doria de administrar é tucana?
Ela acrescenta uma inovação, leva o privado para dentro do público. Era crime falar de privatização. Hoje, as pessoas gostam de ouvir isso.

Doria é o modelo de novo para o sr.?
Eu estou conhecendo a gestão Doria. Sinto que está tentando aproximar [da população] a comunicação e isso temos que trazer para o Legislativo.

Pretende usar mais redes sociais?
Pretendo, não. Eu vou usar. Vai mudar o padrão de utilização de rede social na Assembleia. Não eu pessoal, institucional. Vou criar a Agência Alesp, isenta e independente, de produção de conteúdo para jornal, rádio e TV.

Vai criar estrutura nova?
Não crio nenhum cargo. Vou aproveitar e reacomodar a estrutura já existente.

Vai ter ação equivalente ao Doria vestido de gari?
[risos] São perfis diferentes, o do Legislativo não é esse.

Essas ações geram polêmica. Como o sr. vê?
Acho interessante. O Executivo precisa saber também como que é a ponta.

O sr. vê o caixa 2 como um mal menor, como disse FHC, Gilmar Mendes e Aécio Neves? Não há certa conveniência porque a Lava Jato está chegando no PSDB?
Roubar R$ 1 e R$ 1 milhão tem que pagar do mesmo jeito. Os políticos precisam entender que o trato com o dinheiro público precisa ser como a questão que coloquei aqui do apartamento do funcionário [a Folha noticiou nesta quarta que Macris paga, com recursos da Assembleia, uma casa para seus comissionados].
Se estiver errado, vou pagar. Acho que não está errado.

O PT pediu apuração sobre isso. O Ministério Público tinha disposição de apurar. Que medidas o sr. vai tomar sobre esse apartamento?
Suspendi imediatamente o pagamento do aluguel. Se existe dúvida, não faço mais.

O sr. promete criar uma Controladoria. Que formato ela terá?
Controladoria precisa ser com concursados, para dar a transparência necessária, sem ingerência, não sei se aproveitados do próprio quadro da Assembleia ou novo concurso.

Fora a transparência, que outras marcas o sr. quer imprimir à sua gestão?
É necessário fazer uma análise do que existe de contratos e serviços na Casa. São quase R$ 300 milhões em contratos que precisam ser analisados ponto a ponto.

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