sábado, 22 de março de 2014

Diretor joga contra grevistas e quebra portão de CDP paulista.


Fonte: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Cidades/176326,,Diretor%20encara%20grevistas%20e%20quebra%20portao%20do%20CDP.aspx?utm_source=facebook

Diretor encara grevistas e quebra portão do CDP
Tatiana Pires

Hamilton Pavam
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Walcrei Edilson Bosso, diretor de disciplina do CDP, arrebenta cadeado do portão principal A corrente e o cadeado que prendiam o portão da entrada principal do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto foram arrebentados a golpes de marreta e talhadeira na tarde desta quinta-feira, 20. O gesto, protagonizado por dois diretores da unidade prisional, deu o tom do clima tenso instalado no local.

De um lado os agentes penitenciários em greve, que prenderam o portão para bloquear o acesso e forçar o Estado a negociar com a categoria. De outro, o inusitado: presos trazidos da região "engaiolados" em veículos escoltados pela polícia, sem poder ingressar no CDP.

A situação se arrastou durante todo o dia e só teve um desfecho depois que o diretor geral do CDP, Alecssandro Junior Petek, e o de disciplina, Walcrei Edilson Bosso, tomaram a iniciativa de abrir caminho a marretadas para entrada de 32 presos vindos das cadeias de Catanduva e Penápolis. O clima tenso no prédio superlotado – 1.682 encarcerados onde só caberiam 768 – tende ainda a se agravar neste final de semana, já que os manifestantes prometem impedir a entrada de familiares nas visitas aos detentos.

Os dois caminhões com os presos chegaram ao CDP por volta das 10h30, mas os grevistas já haviam bloqueado a entrada. Equipes da Polícia Militar e do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil, tentaram por pelo menos duas horas negociar a entrada dos veículos com os detentos.

No início da tarde, a possibilidade de uma invasão pela polícia acirrou os ânimos. Porém, como não havia funcionários para receber o comboio, os veículos retornaram para as cidades de origem. A Secretaria de Administração Penitenciária, ao ser avisada da situação, deu ordem para que a direção do presídio resolvesse o impasse. Os caminhões, que ainda não haviam chegado às cadeias de Catanduva e Penápolis, retornaram.

Junior Petek permaneceu em silêncio enquanto arrombava o portão. Ele se recusou a responder de quem seria a ordem para quebrar o cadeado e como seria feita a segurança, já que dos 44 agentes penitenciários apenas 12 – mínimo de 30% do efetivo como manda a lei - não tinham abandonado o posto. Os grevistas não reagiram a abertura forçada e os veículos puderam enfim entrar sem retaliações.

Os 20 presos vindos de Penápolis e os 12 de Catanduva entraram no CDP sem a presença da tropa de choque da PM. “Os agentes penitenciários não ofereceram resistência, por isso não foi preciso acionar o choque. Recebemos ordem superior para trazer os presos e conseguimos cumprir”, afirmou o delegado do GOE, Paulo Grecco. “Temos que cumprir a determinação do Estado”, disse o delegado e diretor da cadeia de Penápolis, Heweraldo Weber Gonçalves, que tem sob sua guarda 90 detentos, sendo seis menores, em um prédio onde só cabem 30.

Hamilton Pavam
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Alecssandro Petek, diretor geral, abre passagem para entrada de veículos com presos da região

Riolândia

A greve dos agentes penitenciários causou transtornos ainda no CDP de Riolândia. O transporte de detentos das cadeias de Votuporanga e de Jales também foi impedido pelos agentes de ingressar na unidade e deu meia-volta.

O comboio com 14 presos de Votuporanga foi autorizado a passar somente no fim da tarde, quando retornou escoltado pela Tropa de Choque da Polícia Militar, reforçado por agentes da Polícia Civil.

Grevistas dizem 400 aderiram

A greve dos agentes penitenciários em todo Estado começou no último dia 10, e nas três unidades prisionais da região de Rio Preto teve adesão de cerca de 400 funcionários, segundo os sindicatos que representam a categoria.

Sem negociação com o governo do Estado, os grevistas ameaçam não permitir as visitas aos presos neste final de semana, o transporte de detentos para audiências. Julgamentos também não estão sendo realizados, assim como está impedida a entrada de advogados, oficiais de justiça e outros profissionais, como assistentes sociais e psicólogos.

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informa que entrou com ação na Justiça para impedir que as atividades sejam suspensas. Segundo a assessoria de imprensa da SAP, o juiz Sérgio Serrano Nunes Filho, da 1ª Vara da Fazenda Pública, determinou que ficam proibidas medidas que impeçam o transporte de detentos para audiências e julgamento (“Fórum e Júri”) e a transferência de presos entre unidades (“transferências” e “recebimento de presos de cadeias públicas”).

Os sindicatos foram notificados pela Justiça na terça-feira, 18, da liminar que prevê multa de R$ 100 mil para cada dia de descumprimento em cada unidade prisional do Estado.




Fonte: Colaboraram: Joseane Teixeira e André Nonato

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