sábado, 19 de abril de 2014

Instalação de penitenciárias aumenta população de Balbinos, SP, em 237%


Fonte: G1
19/04/2014 12h13 - Atualizado em 19/04/2014 12h52

Instalação de penitenciárias aumenta população de Balbinos, SP, em 237%

Visitas de parentes de presos melhoram movimento no comércio.
Moradores reclamam que a sensação de insegurança também cresceu.

Alan SchneiderDo G1 Bauru e MaríliaPenitenciárias ficam a 500 metros da área urbana da cidade (Foto: Alan Schneider/G1)Penitenciárias ficam a 500 metros da área urbana (Foto: Alan Schneider/G1)

Balbinos (SP), que fica no Centro-OestePaulista a 416 quilômetros da capital, foi a cidade que mais cresceu no país nos últimos 13 anos em número de habitantes. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o aumento foi de 237,6% de 2000 para 2013 - passou de 1,3 mil para 4,4 mil.
Dados sobre Balbinos (SP) (Foto: Editoria de Arte/G1)
Levantamento feito pelo G1 com base em dados do IBGE aponta que, das 5.570 cidades do Brasil, 1.178 viram suas populações encolherem entre 2000 e 2013 - 21,1% do total. Por outro lado, 4.329 cidades brasileiras cresceram no período - 77,7%. Destas, 6,5% cresceram mais que 50%, sendo que Balbinos é a que mais se destaca. Veja mapa com a variação populacional de todas as cidades do país.
O município foi criado em 1954, quando o distrito de São João do Balbino, que pertencia a Pirajuí, foi elevado a município. O nome Balbinos se originou do sobrenome da famíliafundadora do vilarejo.
O principal motivo do crescimento nos últimos anos foi a instalação de duas penitenciárias masculinas em 2006. O levantamento populacional inclui o número de presos - atualmente é de 3,2 mil, mais que o dobro demoradores: 1,2 mil. Além disso, nos fins de semana, a cidade recebe pelo menos 300 parentes de presos.
São vários ônibus lotados e carros que chegam a Balbinos por causa dos dias de visitas nas penitenciárias, que ficam a 500 metros da área urbana. Segundo os moradores, as unidades prisionais trouxeram pontos positivos, como o aumento no volume de vendas no comércio, e negativos, principalmente, a sensação de insegurança entre a população.
Essa característica do município fez com que novos habitantes se instalassem na cidade nos últimos anos, seja para trabalhar na penitenciária ou para ficar mais próximo de algum familiar preso. É o caso de Carlene dos Santos, de 26 anos, que foi parar em Balbinos por causa do ex-marido, que estava preso na cidade. Há um ano, porém, ela formou uma nova família no município. 
Nascida em São Paulo , no bairro de Itaquera, Carlene conheceu Balbinos em 2006, quando começou a visitar o então marido na penitenciária. Mas, três anos depois, ela decidiu mudar de vida: em 2009, pediu a separação por meio de uma carta e se mudou de vez para Balbinos. “Morava em Itaquera e a vida por lá era muito ruim. Vivia em um ambiente criminoso, com muitotráfico de drogas. Se tivesse ficado em São Paulo, já tinha morrido. Lá, não vivia, vegetava. Minha vida começou de 2009 para cá. Como não tinha trabalho, comecei a vender salgados”, disse.
Nilson, o filho, e Carlene formaram nova família (Foto: Alan Schneider/G1)Nilson, o filho e Carlene formaram nova família
(Foto: Alan Schneider/G1)
No início, ela conta que sofreu preconceito por ser considerada mulher de preso. “Antes era rejeitada na cidade. Hoje, todo mundo me conhece e meu telefone toca 24 horas. Vendo alface, vou carpir o terreno para plantar, entrei na escola, vou à igreja, faço caminhada. Antes não queria saber de ler, escrever e de trabalhar”.
No ano passado, Carlene conheceu Nilson Guandalin, de 45 anos, lavrador de família tradicional na cidade. Ele já havia se casado outras duas vezes e nunca havia tido um filho. Mas a história dos dois mudou com a chegada do filho Luiz Nelson Guandalin Neto, de oito meses.
Insegurança
Apesar de a instalação das penitenciárias ter sido importante para Carlene mudar de vida, por outro lado, trouxe receio para parte dos moradores. Balbinos tem apenas uma viatura da Polícia Militar, realidade que não mudou com a chegada das penitenciárias.
Moradora de Balbinos há 20 anos, Rosemary Prado dos Santos afirma que a sensação de insegurança aumentou: “Sinto que a cidade ficou mais insegura. Tiveram casos de tráfico e de roubo, que, antes da chegada das penitenciárias, não tinham".
Cidade tem apenas uma viatura da PM (Foto: Alan Schneider/G1)Cidade tem apenas uma viatura da Polícia Militar
(Foto: Alan Schneider/G1)
O prefeito da cidade, José Márcio Rigotto, também disse que surgiram problemas: “Tem muitas pessoas que pedem dinheiro para pagar contas, pedem cestas básicas. Por isso, a insegurança também aumentou porque vem muita gente boa como ruim visitar a cidade”, informou.
Ainda de acordo com o prefeito, a falta de infraestrutura da cidade na época da instalação dos presídios refletiu em alguns setores. “Acredito que tem pontos positivos e negativos. Poderia ter sido bem melhor se tivesse preparado a cidade para receber as duas penitenciárias. Faltou infraestrutura na cidade. Ou seja, perdemos o que a penitenciária poderia estar trazendo de bom. Por exemplo, 1% dos funcionários reside na cidade, sendo que poderiam residir 50%, que são pessoas que ganham em média cinco salários-mínimos, que gastariam no comércio”, apontou.
Mesmo assim, Rigotto afirmou que agora aceitaria a instalação da terceira unidade prisional. “Antes não tinham casas, havia só um centro de saúde e faltavam de médicos. E acabou só restando alguns problemas. Em vez de residir o agente penitenciário, reside a família do presidiário, que são pessoas mais carentes, que precisam de mais ajuda social do município. Hoje, com a infraestrutura que a cidade montou, se quisesse mandar mais uma penitenciária eu aceitaria."
Mulheres visitam os presos nos finais de semana (Foto: Alan Schneider/G1)Mulheres visitam os presos nos finais de
semana (Foto: Alan Schneider/G1)
O ex-prefeito Ed Carlos Marin, que comandava a cidade em 2006 e atualmente trabalha como agente penitenciário de Balbinos, lembra que pediu ao governo do estado a instalação das penitenciárias por causa da queda do número de habitantes. “A vinda das penitenciárias foi estudada entre prefeito e vereadores. Antes a população era maior e foi diminuindo. Por isso, quando chegou a pouco mais de mil habitantes, decidimos mandar um documento para o governador pedindo as penitenciárias”.
Marin não se arrependeu da medida: “Até o momento não teve ocorrência envolvendo a penitenciária. Pelo contrário, ajuda a movimentar a cidade positivamente. Não me arrependo de nada. Foi um mal necessário trazer a penitenciária para trazer outros benefícios do estado, como moradias populares, asfalto e escolas”, afirma.
Comércio
O dono da única farmácia de Balbinos, Márcio Bortolotte, de 54 anos, apontou um faturamento de 20% a mais aos finais de semana. Segundo ele, "foi positiva a vinda da penitenciária porque trouxe mais dinheiro. Senti uma evolução nas vendas e no lucro, cerca de 20% de aumento nos finais de semana. Agora estou pensando em abrir a farmácia aos domingos também."
O proprietário de um dos dois supermercados da cidade também vê como positiva a instalação dos presídios. “Melhorou o movimento aos finais de semana. Chega a dobrar as vendas aos sábados em relação ao dia normal da semana”, disse o comerciante Ailton Carlos Rigotto Júnior.
Cana é principal cultura agrícola na cidade (Foto: Alan Schneider/G1)Cana é a principal cultura agrícola na cidade
(Foto: Alan Schneider/G1)
Base da economia
Apesar dos reflexos positivos no comércio, a economia de Balbinos tem como base principal a agricultura, que também cresceu com a vinda das penitenciárias. A cidade teve uma arrecadação em 2013 de pouco mais de R$ 13,5 milhões.
Em 2005, antes das penitenciárias, o valor era de cerca de R$ 4 milhões. A expectativa é de que possa melhorar mais, de acordo com o chefe da Casa da Agricultura de Balbinos, Silvio Barbosa.
“Cerca de 90% da cidade é de área rural de exploração agrícola. Quando a penitenciária chegou, os produtores vislumbraram uma alternativa de renda. Atualmente, a cidade vende legumes e verduras para as penitenciárias, que têm um consumo grande de alimentos. Agora, um lacticínio está sendo construído por alguns produtores. A demanda de leite é grande e se encaixa com o que temos no município. A expectativa é boa e vamos aproveitar a penitenciária como um canal de comercialização”, enfatizou Barbosa.
Balbinos tem duas penitenciárias masculinos  (Foto: Alan Schneider/G1)Balbinos tem duas penitenciárias masculinas (Foto: Alan Schneider/G1)







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