domingo, 1 de fevereiro de 2015

Automatização ou mecanização?Porque a polêmica? Presídio tem que ser "FLEX".

Após o motim com dois reféns na penitenciária de Junqueirópolis, onde a SAP disse em nota oficial que foi apenas tentativa de fuga, apesar de ter ficado dois ASPs de refém, um sindicato aproveitou a situação para criticar a mecanização da Penitenciária de Junqueirópolis, idealizada por um agente penitenciário e apoiado por outro sindicato, a automatização tem as suas falhas também, que comento no final do texto.

Com isso, a matéria no site desse sindicato só serviu para polemizar o assunto automatização e mecanização, visto que a unidade de Junqueira é mecanizada, onde o Agente Penitenciário abre e fecha as celas por cima das celas, sem nenhum contato com presos dentro do raio, melhorando muito o trabalho de segurança, pois quando o agente penitenciário entra em um raio(pavilhão de presos) ele se torna um mero refém, muitas vezes sozinho e trancado com até 400 presos, o ponto positivo da mecanização é a manutenção fácil e sem necessidade de pessoal especializado para fazer a manutenção.

Acredito que esse assunto não deve ser polemizado e sim ter as boas idéias somadas,  em março de 2012 eu reivindiquei ao deputado Carlos Giannazi que elaborasse um projeto de lei, o deputado elaborou o PL 153/12 e nem por isso eu fico dizendo que a idéia da automatização é minha, eu reivindicava a automatização/mecanização desde 2006, após os atentados, nesse caso do projeto a palavra automatização foi mais prática para entendimento dos leigos no assunto, mas o formato mesmo, tem que ser debatido entre os representantes de classe e não ficar apenas criticando quem é o "pai da criança" ou qual idéia é melhor.

Mas, esse assunto sempre foi motivo de polêmica, quando o deputado apresentou esse projeto, alguns diretores de um outro sindicato se reuniram com o deputado e queriam que o deputado mudasse para mecanização em vez de automatização, conforme estava no projeto, alegavam esses sindicalistas que iria diminuir o número de agentes nas unidades com a automatização.

O que importa é o agente penitenciário não ter contato com números gigantescos de presos, veja que em presídios federais até as salas de aulas tem grades para o professor ficar e ele não tem contato direto com o preso.

O projeto IDEAL:
Assim como os automóveis se evoluíram e se tornaram FLEX, acho que as celas teriam que ser automatizadas e mecanizadas, pois não vamos ser ingênuos, assim como a matéria do sindicato que polemizou o assunto, e achar que presídios automatizados terão manutenção quando quebrarem, a 30 anos já existia presídios com alguns setores como seguro e castigo automatizados,só que quando quebraram foram abandonados, portanto se tiver os dois sistemas, quando quebrar o automatizado que é mais sensível, depende de energia elétrica, mecanismos elétricos e são mais complexos, se as  celas forem mecanizadas também,  o presídio terá a opção do agente penitenciário não entrar dentro do RAIO que tem UM TRIPLO da capacidade geralmente e muito menos ASPs do que deveria ter nos raios, com a mecanização, o agente abriria as celas por cima e sem nenhum contato direto com centenas de presos. Acredito que em vez dos sindicalistas ficarem querendo dizer que uma idéia é melhor que a outra, vamos somar e vamos olhar pra frente, não podemos voltar atrás, esse projeto é a única solução para o ASP ter um pouco mais de dignidade e segurança dentro dos presídios.

Quando entrei no sistema penitenciário em 1994, tínhamos plantões com até 80 agentes de segurança penitenciários, portanto na questão de segurança, esse processo de automatização e mecanização é solução, ja que a falta de funcionários tem a tendência de aumentar cada vez mais, quanto as questões de ressocialização ou dignidade do preso, esse é um debate mais amplo, que depende tão somente do desgoverno de São Paulo, construindo presídios e contratando milhares de agentes penitenciários, se você que é da área da segurança trabalhar com 5.000 presos em um presídio pra 700, mas sem contato com 400 ou 500 presos em um raio, você terá dignidade pra trabalhar, coisa que não temos nos presídios paulistas.

Jenis de Andrade
Agente Penitenciário que trabalha em um raio HIPERLOTADO e escreve o que vive e não o que contam pra ele.

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