sábado, 4 de março de 2017

Prefeituras do Interior fazem "leilão" por penitenciária federal.

Esse presídio será construído no Rio Grande do Sul, mas em SP algumas cidades fazem "leilão" também por presídios, lembrando também que há cidades que não querem de forma alguma.

Entenda o porque estão fazendo uma espécie de "leilão" lendo a matéria abaixo:


Fonte: Zero Hora.


Prefeituras do Interior fazem "leilão" por penitenciária federal
Será anunciado na próxima terça-feira o município que receberá unidade de segurança máxima e cederá área de 25 hectares à União

Por: Eduardo Torres
03/03/2017 - 16h58min | Atualizada em 03/03/2017 - 21h29min


Prefeituras do Interior fazem "leilão" por penitenciária federal Divulgação/Prefeitura Municipal de Alegrete
Existência de aeroporto, como em Alegrete, na Fronteira Oeste, é critério exigido pelo governo para construir prisão


Está previsto para terça-feira o anúncio da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de qual será o município escolhido para a instalação de uma penitenciária federal no Rio Grande do Sul. O mistério sobre a escolha é completo, e enquanto a cidade-sede não é divulgada, prefeitos disputam a prisão. Especula-se que, a partir de uma lista inicial de 23 cidades interessadas, o funil se fechou de acordo com os critérios estabelecidos pelo Ministério da Justiça. A ideia é anunciar o local escolhido e, a partir de então, os técnicos do governo federal vão entrar em ação para vistoriar as áreas.

Cinco municípios manifestaram publicamente o interesse em receber o investimento federal. Na região central do Estado — justamente o berço político do secretário Cezar Schirmer — está a maior polêmica sobre o assunto.

De um lado, o prefeito de São Sepé, Leocarlos Girardello (PP), é o mais entusiasmado com a possibilidade de movimentar a economia local. De outro, o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), de Santa Maria, já fala inclusive em barrar judicialmente a iniciativa.

— Estamos calculando que, a cada ano, essa estrutura, entre os seus funcionários, o fornecimento de alimentação e de materiais e serviços para a manutenção represente um acréscimo de R$ 30 a R$ 35 milhões na economia da cidade. É a metade do meu orçamento anual — justifica o prefeito de São Sepé.

A construção da futura penitenciária federal tem custo estimado em R$ 60 milhões em investimentos do governo federal durante pelo menos dois anos, e deve empregar entre 200 a 250 pessoas na construção. Depois de pronto, serão 400 empregos diretos. Tamanho interesse levou Girardello até Catanduvas (PR), onde foi construída a primeira das quatro penitenciárias em funcionamento no país.

— É um lugar extremamente seguro, distante da área central da cidade. Se a nossa proposta for aceita pelo Estado, vou levantar um debate público com a nossa população — diz Girardello.

Em uma rádio local, uma pesquisa interativa na última semana demonstrou aprovação de 52% dos ouvintes. Para receber a penitenciária federal, o município interessado precisa oferecer uma área de 25 hectares, distante do centro urbano, com acesso a rodovia de rápido fluxo e proximidade a algum aeroporto.

Em São Sepé, pelo menos quatro áreas são avaliadas. O município é cortado por duas rodovias federais e o aeroporto mais próximo fica a 30 quilômetros, em Santa Maria. E aí está a contradição. Para Pozzobom, a ideia seria catastrófica para a região.

— Muito se fala sobre empregos e a movimentação econômica do projeto, mas esquecem que o que há de pior na criminalidade viria para cá. São presídios destinados a líderes de facções de todo o país. Junto com eles, como visitantes, vem o mesmo tipo de gente. Quem garante que não estaremos sujeitos a um resgate? — desabafa.

Santa Maria não se candidatou a receber o projeto e o prefeito vai além:

— Se for escolhido algum município da nossa região, vou estudar uma ação judicial que impeça a instalação em toda a Região Central.

Emprego e segurança na Fronteira

Na Fronteira Oeste, Alegrete já projeta as mudanças que aconteceriam na cidade e na região com a instalação de uma penitenciária federal. A prefeita Cleni Paz (PP), que foi uma das primeiras a apresentar interesse no projeto, admite que a cidade está entre as "finalistas" dentro dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Justiça.

— Só com os empregos que podem ser gerados direta e indiretamente na cidade, já vai representar um fôlego. Nós projetamos que aí Alegrete vai ser beneficiada com um destacamento da Polícia Federal e com o reforço da Brigada Militar. Movimentaria a nossa economia e responderia a necessidade de mais segurança na fronteira — valoriza a prefeita.

Segundo ela, a área para a eventual penitenciária já foi escolhida. Fica próxima à área já oferecida para a construção de um presídio estadual. Tem os 25 hectares determinados, fica a 50 metros da BR-290 e a 6 quilômetros do aeroporto de Alegrete.

— Será uma oportunidade para modernizar o nosso aeroporto — complementa a prefeita.

Já no Norte, o prefeito de Frederico Westphalen também entrou no páreo. De acordo com o secretário da Administração, Luís Paulo Franken, porém, a área ainda não foi escolhida. Haveria pelo menos três opções em análise.

O que pode ser um impeditivo para o município nessa disputa é a distância até o aeroporto de Chapecó (SC). São pelo menos 125 quilômetros até lá.

Onde empresários querem a penitenciária

Se a demonstração de interesse para a SSP se dá por uma carta de intenções enviada pelos prefeitos, em Cachoeira do Sul, também na Região Central, o caminho foi inverso. Quem procurou o secretário Cezar Schirmer foi o Centro da Indústria e Comércio da cidade.

— Na nossa cidade, temos 18 mil pessoas com carteira assinada. Imagine um incremento de 600 funcionários nessa economia, e com média salarial acima da atual. Nós não podemos desprezar esse aumento de potenciais consumidores na cidade — diz o presidente da entidade, Paulo Falcão.

Depois de uma audiência da entidade com o secretário, o assunto foi levado ao prefeito que, aí sim, enviou a carta de intenções. Uma área na região conhecida como Três Vendas é analisada para receber a estrutura.

Era local de pesquisa, pode virar prisão

O município de Vacaria, na Serra, foi um dos primeiros a manifestar interesse em receber a penitenciária federal no Rio Grande do Sul. A área já oferecida pelo prefeito Amadeu Boeira (PSDB) à SSP mudaria por completo o cenário e a utilidade do local às margens da BR-285, no caminho para o município de Lagoa Vermelha. Lá funciona atualmente o Centro de Pesquisas da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) da Região Nordeste.


Área da Fepagro, que foi extinta com pacote do governo Sartori, é candidata a sediar penitenciária federal em Vacaria
Foto: Divulgação / Fepagro
A Fepagro é uma das autarquias propostas para serem dissolvidas pelo governo estadual. Por outro lado, a expectativa do município é, aprovando a vinda da penitenciária federal, conseguir concluir as obras do aeroporto regional, atualmente com a pista e o pátio prontos.

Em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, outra sede de fundação em vias de extinção foi especulada para receber a penitenciária. Em janeiro, agentes da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) vistoriaram a área da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), no Distrito Industrial da cidade. São 80 hectares até então voltados a incubadoras e pesquisas científicas. O prefeito Miki Breier (PSB), no entanto, nega o interesse da cidade em receber o investimento federal.

O que é necessário para receber a penitenciária federal

— Área de 25 hectares.

— Acesso rápido a rodovias expressas.

— Proximidade de aeroporto.

A obra

— A penitenciária terá lugar para pelo menos 200 presos.

— O investimento previsto do governo federal será de R$ 60 milhões.

— São previstos até 250 empregados na construção da estrutura.

— Depois de pronta, a penitenciária emprega até 600 funcionários.

As penitenciárias federais
Penitenciária de Catanduvas, no Paraná, foi inaugurada em 2006
Foto: Divulgação / Ministrério da Justiça e Segurança


— Atualmente existem quatro no país: Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RR), Mossoró (RN). Em Brasília está em construção a quinta penitenciária.

— As penitenciárias recebem presos já condenados e considerados de alta periculosidade. Em geral, são presos transferidos de outras regiões do país para justamente se afastarem das suas áreas de domínio.

5 comentários:

  1. Para trabalhar em um presídio federal é outro tipo de concurso né? Os ASPs Federais, ainda que trabalhando em SP, não serão subordinados à SAP certo? O salário deles é melhor?

    Só pergunto porque deve ser de interesse de todo ASP estadual querer trabalhar num presídio federal, visto que são melhores condições de trabalho, com mais segurança e também é provável que os salários sejam bem melhores... Ah, e só mais uma coisa, precisa de ensino superior né? Não tenho certeza, mas acho que já vi essa exigência para ASP Federal em algum lugar...

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    Respostas
    1. Unknown: 1-sim necessário prestar concurso; 2- nível médio; 3- subordinados ao governo federal. Se quiser ter ideia do salário entre no site transparencia.gov.br ( não olhei, mas se não me falha a memória é mais de R$5000,00). A empresa que organiza este concurso normalmente é a Cespe. Acesse o irmão google e terá melhores informações. Boa sorte! emanuel

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  2. 600 funcionários para 200 presos ..... ta certo. tem penitenciaria e cdp com mais de 2000 presos e menos de 150 funcionários.
    acho que tem alguém brincando com o funcionalismo público estadual . quem serão eles ?????

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